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[27.9.05]
CHICO BUARQUE E AS MULHERES
"Todo dia ele faz diferente
Não sei se ele volta da rua
Não sei se me traz um presente
Não sei se ele fica na sua...
Talvez ele chegue sentido
Quem sabe me cobre de beijos
Ou nem me desmancha o vestido
Ou nem me adivinha os desejos
Dia ímpar tem chocolate,
Dia par eu vivo de brisa;
Dia útil ele me bate,
Dia santo ele me alisa.
Longe dele eu tremo de amor,
Na presença dele me calo.
Eu de dia sou sua flor
Eu de noite sou seu cavalo.
A cerveja dele é sagrada.
A vontade dele é a mais justa.
A minha paixão é piada;
Sua risada me assusta.
Sua boca é um cadeado
E meu corpo é uma fogueira:
Enquanto ele dorme pesado
Eu rolo sozinha na esteira..."
Sem Açúcar, Chico Buarque
Dizem que o Chico foi o compositor que melhor descreveu a alma feminina. Descreveu a mulher com todas as suas dificuldades, sentimentos, frustrações. Talvez tenha sido o primeiro a entender que mulher gosta de sexo.
Agora, alguém pode me ajudar a entender no que ele estava pensando quando compôs essa danada aí de cima? Porque eu não entendi. Que mulher seria essa? Em que situação?
Chico Buarque é sempre um causo sério pra mim.
arquitetado por Vivs * 13:03
Just do it:
[22.9.05]
Faringo-amigdalite. Febre, cama. Se em 10 dias essa porra não melhorar, cirurgia pra extirpar as amígdalas.
Em crise. Com problemas. Precisando pensar na vida, tomar umas, fazer um brainstorm. Tomar decisões. Rezar.
Setembro está sendo meu mês do cachorro-louco. E não está nada fácil.
Devo passar uns dias sem postar.
Agradecemos a sua preferência.
arquitetado por Vivs * 12:10
Just do it:
[19.9.05]
Nobody knows where you are
How near, or how far
Shine on, you crazy diamond...
Pile on many more layers and I'll be joining you there.
Shine on, you crazy diamond...
And we'll bask in the shadow of yesterday's triumph
And sail on the steel breeze.
Come on you boy child, you winner and loser
Come on you miner for truth and delusion
And shine...
P.S.: Pink Floyd continua sendo minha banda favorita.
P.S. 2: Hoje comprei um CD do Aerosmith.
P.S. 3: Quem tem ouvidos, ouça.
arquitetado por Vivs * 21:27
Just do it:
[15.9.05]
PRECISO DE UMA CHUVA
A umidade do ar em Brasília quase alcançou os 10% essa semana. Sabe o que é isso? 10% de umidade relativa do ar?
Isso significa muita dor de cabeça, nariz sangrando, pele esturricada, nariz sangrando, desconforto, nariz sangrando. Dificuldade pra respirar.
Por mais água que eu beba, não se resolve. Quero chuva, meu São Pedro. E sei que vou me arrepender de ter pedido isso quando, em Dezembro, Brasília tiver virado Atlântida, por causa da chuvarada.
Por enquanto, a UnB inteira está em greve - professores, servidores, estudantes. Guerra Civil, somente dantes vista na época da Ditadura.
E eu acho massa.
arquitetado por Vivs * 13:19
Just do it:
[13.9.05]
ERRATA
Tem gente que lê as coisas e interpreta tudo errado.
O post de baixo não foi endereçado para quem pensou que fosse.
Aliás, não foi endereçado a ninguém... foi só um raciocínio solitário, lento e feliz.
Aliás, não tem como ficar triste ouvindo Bidê ou Balde.
Aliás, eu tenho namorado, ainda.
E já estou velha pra ter revivals errados.
Voltemos à nossa programação normal.
arquitetado por Vivs * 10:00
Just do it:
[10.9.05]
Ela vai mudar
Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou
Vai ficar feliz de ver que ele também mudou
Pelo jeito não descarta uma nova paixão
Mas espera que ele ligue a qualquer hora
Para conversar
Perguntar se é tarde pra ligar
Dizer que pensou nela
Que estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ela, aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
Sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Ele vai mudar
Escolher um jeito novo de dizer "amor"
Vai ter medo de que um dia ela vá mudar
Que aprenda a esquecer sua velha paixão
Mas evita ir até o telefone
Para conversar
Pois é muito tarde pra ligar
Tem pensado nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele, aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
Sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Para conversar
Nunca é muito tarde pra ligar
Ele pensa nela
Ela tem saudade
Mesmo sem ter esquecido que
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele, aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
Sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Mesmo Que Mude, Bidê ou Balde
arquitetado por Vivs * 21:30
Just do it:
[8.9.05]
MÚLTIPLA ESCOLHA
Todo mundo vive dizendo que na vida você faz escolhas. Que existe um livre arbítrio e que o simples andar na calçada representa uma escolha - a de respeitar a plaquinha e não pisar a grama. Em suma, a culpa é toda sua. E eu, do meu lado, fico me questionando se isso é mesmo verdade.
No livre arbítrio eu até que acredito, mas me incomoda a idéia de ter de fazer escolhas e me responsabilizar sempre por suas conseqüências. Isso é uma tortura que vai acompanhar o cidadão mais ou menos responsável por toda a vida - e eu não sei se gosto da idéia da tortura.
Quando você escolhe prestar vestibular para aquele curso, você faz a escolha certa? Será que é essa vida profissional que você quer? Será que, se você ficar frustrado com essa escolha, a culpa é sua?
Quando você escolhe almoçar naquele restaurante e tem uma intoxicação alimentar, a culpa pelo piriri é sua?
Quando você escolhe transar sem camisinha com alguém, porque chegou num ponto em que você confia naquela pessoa, e quer estar tão perto que não admite ficar separado dela por um plastiquinho nojento, você está assumindo um "risco social" muito grande. Pode, mesmo amando e querendo ficar junto, ficar doente, ser pai/mãe... e tudo isso seria, inquestionavelmente, culpa sua. Mas até hoje, nessa conversa de usar camisinha, ninguém falou da emoção, do tesão que faz as pessoas ficarem loucas (porque elas ficam), ninguém falou do amor. Não que seja certo correr riscos, mas talvez o essencial tenha ficado de lado - nem a gente pensa nisso. E é culpa nossa?
Quando você escolhe entre uma pessoa e outra, entre partir e ficar, entre chutar o balde e manter o controle, entre subir ao altar ou jogar o buquê de lado e subir naquela moto, é possível que você esteja deixando ir embora um grande amor. É possível que toda a sua vida se mude nesse minuto; e o mais assustador é que você não sabe na hora qual das escolhas é a correta: se é a pessoa 1 ou 2, se é a que vai ou a que fica, se é a que está aqui do lado ou a que está a 1800 km de distância, a que te magoou ou a que fez tudo certo, a que está no altar ou a que está pilotando a moto. Qual é o critério para dizer que uma escolha é uma loucura? Qual é a medida da loucura? Qual a certeza que se tem de algo?
Nem Tristão e Isolda saberiam responder a essa pergunta. Tristão mata o dragão para se casar com Isolda, mas um outro aparece e faz com que acreditem que foi ele quem matou o dragão. Isolda é prometida a esse outro. Encontrando-se pelo caminho, Tristão e Isolda bebem uma poção sem saber e se apaixonam para sempre. Isolda, pela força das leis, tem que se casar com outro; mesmo assim, continua sendo amante de Tristão, porque não suporta nem um dia longe dele. Descobertos, são mandados para a fogueira, mas fogem para a floresta. E é aí que entram as escolhas. Poderiam ter fugido pra mais longe, poderiam ter ido ao encontro um do outro, poderiam. Mas não o fizeram. Foram descobertos, Tristão entrega Isolda pro marido corno e se casa com outra com o mesmo nome. E passam um longo tempo adoecendo de saudade.
Se Tristão e Isolda tivessem se casado e vivido juntos na cabana de uma floresta longe da Irlanda, e tido filhos e ficado às voltas com a conta do gás e da luz e do telefone, talvez não seriam a lenda que são hoje. Talvez não teriam se amado até depois da morte. Mas pela "escolha" que fizeram, podem não ter sido felizes nunca, tamanhos eram os desencontros.
As escolhas existem? Ou a vida é um grande filme do qual participamos apenas como atores passivos, do tipo "deixa a vida me levar"?
Nem sei se é melhor que elas existam.
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No final da história, Tristão se casa com a Isolda das Brancas Mãos (só porque ela tem o mesmo nome da Isolda Loura) e Isolda Loura fica com seu marido corno (que, a propósito, se chama Mark). Um dia, Tristão é envenenado em uma batalha, e sabendo que só Isolda Loura pode curá-lo, chama por ela. Pede que ela içe velas brancas no seu barco, para identificá-lo, e quando no barco chega, Isolda das Brancas Mãos, ciumenta e mal-comida, diz a Tristão que as velas são pretas. Ele morre de desgosto. Isolda, ao descer do barco e ver Tristão morto, deita ao seu lado e morre de remorso.
São enterrados lado a lado, e da cova de Tristão nasce uma videira que se enrosca na roseira que nasceu da cova de Isolda. Tentam cortar as plantas por três vezes, mas elas renascem, e assim, deixam o casal descansar em paz.
Coisa linda.
arquitetado por Vivs * 10:46
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