|
[30.1.06]
DAZED AND CONFUSED
Noite em claro. Virei a cabeça pros pés da cama, igual minha mãe me ensinou a fazer, quando eu era criança, nos casos de insônia. Sempre funciona.
Meu estômago dói, parece fome, mas não é. É gastrite. Puramente emocional, puramente por stress. Fase foda. E eu nunca fui uma pessoa estressada - isso é o que mais me impressiona. Tenho que controlar minha alimentação, tenho que parar de beber por um tempo.
Parar de beber? Um professor que eu tive, mais especificamente de Introdução à Antropologia, disse uma vez que 90% da população mundial é incapaz de enfrentar a vida sem usar drogas. Lícitas, ilícitas ou medicamentos, qualquer tipo de droga.
Aí o que eu faço? Vou ter que substituir cerveja por maconha, pra não magoar meu estômago?
"Don't tell me there's no hope at all"
E ouvir o barulho da água passando pelo encanamento do cômodo ao lado. Casas geminadas. A pessoa varre do lado de lá, eu ouço do lado de cá. Até barulho de vassoura eu ouço.
Mas nada ecoa mais do que meu barulho interno.
Não sei o que vou fazer, não sei quem serei depois das minhas escolhas. Não sei se vou pra Niterói fazer o mestrado dos sonhos, não sei se tento ir pro exterior. Só sei que, em pouco tempo, serei geógrafa. "Nós geógrafos já nascemos pobres / Porém, já nascemos livres", canta a minha turma na universidade.
Pobre, porém livre. Mas livre do que, exatamente?
Não sei se tenho fé, mas acredito em mim, de um tanto que não sei expressar. Fico questionando esse Deus em quem acredito, se ele é com "D" maiúsculo, se ele tem um "es" no final. Tenho que escolher uma religião. Mas será que tenho? Por que não posso ir à missa, cantar na banda Renascer Praise (que é protestante e é FODA de boa), tomar uns passes no centro espírita, ir ao terreiro entrar em transe e dançar com os orixás, acender vela pra lua cheia, tudo ao mesmo tempo? Se Deus é um só, independente do nome, por que eu preciso optar por uma? E se ele é tão grande e onipotente, por que ficar procurando algo que o explique?
Às vezes imito São Francisco de Assis, que berra, brada, grita até ficar sem voz, perguntando onde está Deus, e por que ele não fala. Por que Deus não se mostra? Por que eu não o vejo, se ele se mostra?
"Just nod if you can hear me / Is there anyone home?"
Levanto, tomo um leite morno. Dizem que ajuda. Minha mãe está passando roupa na sala.
As pessoas me perguntam se eu vou continuar aqui, onde trabalho, se vou ser efetivada. Eu digo que não sei. Não sei nem porquê é que elas se preocupam tanto com isso.
As pessoas insistem em me perguntar se a minha monografia já está pronta. Eu digo que não está, e não vai ficar pronta antes da hora de ficar. E tenho dito.
As pessoas continuam perguntando quando é que eu vou casar. Eu respondo que nem namorado tenho. Elas insistem, perguntando por que não tenho. Eu respondo que, provavelmente, é porque eles não aguentam. Homem geralmente não aguenta.
"You cannot reach me now / No matter how you try"
Deito de novo, agora com o princípio de uma dor de cabeça.
E eu não sei se arrumo logo um subemprego, só pra conseguir sair de casa, parar de brigar com meu pai, e sustentar os anos de estudo que vêm antes da minha realização
profissional. Porque só vou me sentir realizada quando tiver meu nome no escaninho de um Departamento de Geografia, de alguma universidade do Brasil.
E não sei se vou a algum laboratório fazer um teste de HIV, que é uma coisa que absolutamente todas as pessoas deveriam fazer nas suas vidas.
E não sei se vou logo ao gastroenterologista fazer uma endoscopia e ter uma solução decente pra essa gastrite, antes que ela vire uma úlcera.
E não sei se ligo pra aquele cara lindo dos olhos azuis com quem eu estava saindo até semana passada.
"Open your heart / I'm coming home"
Acordo com enxaqueca, depois de muitas horas rolando na cama e algumas horas de cochilo muito leve.
Não sei se caso ou compro uma bicicleta.
Não sei se fodo ou saio de cima.
"Não sei por onde vou
Não sei pra onde vou
Mas sei que não vou por aí"
"Show must go on"
E o pior de tudo é que não tô com tempo pra estar em crise. Tenho uma monografia inteira pela frente.
Preciso parar de ouvir Pink Floyd.
arquitetado por Vivs * 15:14
Me beija, Scarlett:
[28.1.06]
Hey you, out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?
Hey you, standing in the aisles
With itchy feet and fading smiles
Can you feel me?
Hey you, don't help them to bury the light
Don't give in without a fight.
Hey you, out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me?
Hey you, with you ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me?
Hey you, would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home.
But it was only fantasy.
The wall was too high,
As you can see.
No matter how he tried,
He could not break free.
And the worms ate into his brain.
Hey you, standing in the road
Always doing what you're told,
Can you help me?
Hey you, out there beyond the wall,
Breaking bottles in the hall,
Can you help me?
Hey you, don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall.
Hey You, Pink Floyd
P.S.: Fim de semana dedicado à monografia. Ser geógrafo não é pra quem quer, não. É pra quem pode.
arquitetado por Vivs * 14:04
Me beija, Scarlett:
[24.1.06]
CALA A BOCA, BÁRBARA
Chico Buarque, o coroa mais gostoso do Brasil, do alto dos seus olhos verdes e carros-alegóricos da Mangueira, além de ser um puta compositor, deve ser também o melhor homem pra uma mulher se relacionar na vida. Ele cantou a mulher, e mais, compôs, várias vezes, como se fosse uma mulher. Respirou a alma feminina, inspirando os desejos das mulheres e expirando as canções mais profundas que nenhuma mulher jamais pensou em cantar. As desse post são as minhas prediletas. Se um dia eu gravar um disco (muuuita pretensão), elas estarão nele.
Em Foi Assim, a mulher questiona seus relacionamentos falidos. Tenta entender por que, por mais que se dedique, seus homens partem e a decepcionam. Essa parte, a Maria Bethânia cantou:
"Não sei se é meu destino
Não sei se é meu azar
Mas tenho que viver brigando;
Todos no mundo encontram seu par
Por que só eu vivo trocando?"
Já viu essa cena?
Em "Sem Fantasia", a mulher se abre aos próprios desejos, se entrega sem medo à paixão, agarra seu homem com unhas e dentes. Como a Bethânia, ninguém vai cantar:
"Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos...
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços,
Pelo amor de Deus!"
Já vi isso. E o Chico responde.
Em "Com Açúcar, Com Afeto", fala a dona-de-casa, submissa, sofredora, largada a escanteio pelo marido que a engana todos os dias. O pior: ela é louca pelo marido das cavernas. Essa a Jane cantou, com a voz bem aguda e doce:
"Quando a noite enfim lhe cansa
Você vem, feito criança, pra chorar o meu perdão
Qual o que!
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra alegrar meu coração;
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer?
Qual o que!
Logo vou esquentar seu prato,
Dou um beijo em seu retrato e abro os meus braços pra você"
Conheço quem já viu isso de perto.
Na escrotíssima de boa "Tira as Mãos de Mim", essa dona-de-casa se rebela, e joga na cara do marido o amante que a faz feliz. Essa, só o Chico aguentou:
"Ele era mil, tu és nenhum
Na guerra és vil, na cama és mocho
Tira as mãos de mim
Põe as mãos em mim
E vê se o fogo dele, guardado em mim
Te incendeia um pouco"
Tudo. E como eu já vi isso.
Na dolorida e verdadeira "Sem Açúcar", é de novo uma mulher submissa. Só que, dessa vez, ela está assustada, envolvida nessa paixão que é quase uma doença. A Bethânia acaba comigo desse jeito:
"Dia ímpar tem chocolate, dia par eu vivo de brisa
Dia útil ele me bate, dia santo ele me alisa;
Longe dele eu tremo de amor, na presença dele me calo
Eu de dia sou sua flor, eu de noite sou seu cavalo"
Sifudê. Era pra eu cantar.
Ele fez um samba chamado "Cobras e Lagartos", que é de doer, naquelas horas em que você se força a achar que não gosta mais daquele fulano. Êta, Maria Bethânia:
"Se eu lembro se tuas palavras, me vem suor
E o sangue me sobe à cabeça, esquenta, eu fico pior
Me devolva os meus travesseiros e perco meu sono, que coisa ruim
Eu só sei que a imagem dele, pregada na insônia
Não desgruda de mim"
É um filho da puta, diriam os brasilienses. Já vi muito.
Arrematando, ele mandou a Bárbara calar a boca. E ela calou, como muitas mulheres quando estão loucas de amor. Essa até o Ney Matogrosso arrasou:
"Ele sabe dos caminhos
Dessa minha terra
No meu corpo se escondeu
Minhas matas percorreu
Os meus rios
Os meus braços...
Ele é o o meu guerreiro
Nos colchões de terra
Nas bandeiras, bons lençóis
Nas trincheiras, quantos ais, ai
Cala a boca
Olha o fogo
Cala a boca
Olha a relva
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara
Ele sabe dos segredos
Que ninguém ensina
Onde guardo o meu prazer
Em que pântanos beber
As vazantes
As correntes...
Nos colchões de ferro
Ele é o meu parceiro
Nas campanhas, nos currais
Nas entranhas, quantos ais, ai
Cala a boca
Olha a noite
Cala a boca
Olha o frio
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara..."
Sempre tem um que sabe. E, geralmente, tem horas em que ele manda calar a boca (por pior que isso seja).
Se você for brasileiro, tem que ouvir esse cara. Se for mulher, tem que tirar o chapéu pra ele. Se for homem, vê se aprende.
P.S.: E assim, voltamos à nossa programação normal. "Pra não haver bate-boca dentro do salão".
arquitetado por Vivs * 19:43
Me beija, Scarlett:
[22.1.06]
SEM TÍTULO
Eu tinha um outro post organizado pra colocar aqui. Mas diante dos últimos acontecimentos, resolvi não dar mais tanta moral pra ele.
Decidi escrever sobre algumas coisas que não entendo. Algumas coisas que me irritam, sem que eu entenda. Coisas sem título.
Não entendo certas atitudes. Não entendo certos comportamentos. Nunca fui de julgar as pessoas e, nesse exato momento, prefiro continuar assim; mas acontece que não posso me furtar a refletir sobre o assunto.
Não sei se foi a pomba-gira dessa pessoa que amanheceu querendo vestir saia de ponta. Não sei se foi o vento que bateu pro lado errado lá pelas bandas do Sudeste do Brasil. Só sei que, de uma maneira estranha e inesperada, alguém resolveu apertar Shift+Del no teclado da vida, e foi tão grosseiro ao fazer isso que, sem brincadeira, eu tô até agora sem conseguir entender.
Por que as pessoas têm medo de ter amigos? Por que será que as pessoas são tão megalomaníacas? Por que será que as pessoas não canalizam a loucura delas compondo músicas de sucesso, como o Syd Barret, ou pintando quadros lindamente desconcertantes, como o Salvador Dalí? Ainda mais gente especial, inteligente e linda de valores, como essa pessoa em questão?*
Por que eu não consigo alcançar a loucura dessas pessoas?
E por que eu ainda dou risada dessas paradas?
O post era Cala a Boca, Bárbara. Mas decidi mudar.
"Ele era mil
Tu és nenhum
Na guerra és vil
Na cama és mocho
Tira as mãos de mim
Põe as mãos em mim
E vê se o fogo dele
Guardado em mim
Te incendeia um pouco
Éramos nós
Estreitos nós
Enquanto tu
És laço frouxo
Tira as mãos de mim
Põe as mãos em mim
E vê se a febre dele
Guardada em mim
Te contagia um pouco"
Tira As Mãos De Mim, Chico Buarque
Nada pessoal. A letra é bonita e a música é do caralho. E ainda bem que eu não tenho costume de jogar presentes fora, nem de devolvê-los, senão ia ter um trabalho da porra baixando tudo aquilo de novo.
* Bom, eu achava, né? Ate uns 20 minutos atrás.
P.S.: E o Vasco perdeu pro Botafogo. Haja decepção num domingo só.
P.S. 2: E durma-se com um barulho desse.
arquitetado por Vivs * 19:04
Me beija, Scarlett:
[18.1.06]
PER FEITO SÓ DE US*
Atendendo a pedidos, hoje um post light sem sacanagem alguma. Ou não.
Dizem que todo mundo tem defeitos. É verdade, não há como contestar. Se você cai na besteira irresistível de acreditar que aquela certa pessoa é tão do bem que não tem defeitos, pode se decepcionar tanto que só o Freud vai ser capaz de te ajudar.
E a uma certa altura da vida, todos nos deparamos com espelhos da nossa alma, figuras que nos levam à auto-observação e, claro, à descoberta dos nossos defeitos. Daí a gente assume e PIMBA!, melhora como pessoa.
Aos 22 anos, posso declarar que:
Sou rancorosa. Você pode me magoar várias vezes. Eu sou benevolente. Mas se você extinguir suas chances, pode nunca mais ver um sorriso na minha boca. Nunca mais, em toda a sua vida. Corre o risco até de me dizer "Bom dia", e escutar um "Vai tomar no cu" como resposta (isso se eu responder algo).
Sou supersticiosa. Não uso (ou uso) certas cores em determinados dias e ocasiões. Não falo (ou falo) certas palavras nas ocasiões em que acho pertinente. Faço o sinal da cruz (como toda boa cristã), mas também toco o chão e a testa em sinal de reverência aos orixás. Leio o horóscopo uma vez por semana.
Tenho o dedo podre. Não sei escolher homens. Insisto em relacionamentos falidos e pessoas chave-de-cadeia. Não faço esforço pra gostar de quem gosta de mim. Esforço algum.
Sou boca-suja. Em cada frase minha, num papo informal, tem que haver pelo menos um palavrão.
Sou preguiçosa. Demoro horas pra tomar coragem e ir fazer o que tenho de fazer. Por ficar de romance com a cama, de manhã, às vezes chego às 9 pra aula das 8. (Ás vezes = Todo dia)
Não sei lidar com dinheiro. Ou gasto desenfreadamente e fico no vermelho, ou sou uma muquirana de marca maior.
Sou carente. Lembra da Felícia, personagem ultra psicótica dos Looney Tunes, que abraçava os bichinhos até que eles explodissem? Experimente me dar moral pra ver. Eu vou te abraçar, te beijar, te apertar, te morder até você morrer de tanto amor...
Sou descolada - ao quadrado. Passo meses sem ver salão de beleza, só me virando em casa (quando lixo a unha, depois de cortar, é uma vitória). Não sigo a moda - me visto mal. Não sei me maquiar - não uso maquiagem. E não estou nem aí pra Light.
Queria o que? Mulher perfeita? Só em capa de revista, com direito a Photoshop.
* Tentei colocar a charge que fez piada com isso, mas não encontrei. Se tiver, me manda.
P.S.: O transporte público em Brasília, além de ser o pior, agora é o mais caro. Aguenta três baú de R$ 3,00 por dia? Aguenta 2 horas pra chegar em casa? Aguenta. Você coloca esses filhos da puta no poder, agora aguenta.
P.S. 2: Sobre Photoshop em mulher pelada de revista, você ouviu falar num caso em que o cara apagou o umbigo da modelo na hora da edição? Jura que preciso ver isso pra crer!
P.S. 3: Eu sou uma mulher feliz. Vide último post. Hohohoh maquiavélica.
arquitetado por Vivs * 21:35
Me beija, Scarlett:
[16.1.06]
TERRA DE MARLBORO
Esses dias, com uma dorzinha de cabeça, fui à farmácia. Na hora de pagar, olhei para o lado e dei de cara com aquela estante cheia de camisinhas.
Coloridas, cheirosas, texturizadas, Verão, extra-lubrificadas, espermicidas, com sabor, diet. Milhares de tipos diferentes. Desci bem os olhos e me deparei com algo nunca dantes visto: abaixo da marca, uma delas se denominava large.
Aí pensei bem:
O dia que eu entrar numa farmácia e tiver de pagar por uma dessas...
Isso é felicidade na vida de uma mulher.
P.S.: Hoje cedo, passei na Esplanada e vi: tiraram o cinto de castidade da Justiça.
P.S. 2: Vascão começando forte no campeonato. Como pretendo ser uma torcedora mais fiel esse ano, todo jogo que o Vascão ganhar, vai aparecer um escudo no blog.
P.S. 3: E assim, o Salamandras caminha, lentamente, para se tornar um blog XXX.
arquitetado por Vivs * 13:30
Me beija, Scarlett:
[11.1.06]
NOIVA EM FUGA
Esses dias, após alguma reflexão e muita conversa com amigos, cheguei à conclusão de que a monogamia não serve para mim. Serviria, se eu encontrasse um homem com tudo o que quero - pacote completo - mas isso não existe. Ou existe, mas está num nível relacional tão avançado com outras pessoas, que não me permite participar. Para que eu seja completamente feliz na minha vida amorosa, preciso arrumar três maridos e viver numa poligamia bacana.
Um marido por quem eu seja apaixonada. Preciso de um dengo que me inspire a escrever, a fazer poesias, a compor bossas-novas, a escrever cartas ridículas. Uma pessoa que me aqueça o coração e esteja nos meus sonhos, e que me dê beijos babados...
Outro marido, com quem eu tenha longas conversas, ouça músicas boas, vá ao supermercado e divida as contas. Um cara com quem eu viva bem junto, e que me dê beijos estalados e selinhos na frente do trabalho.
E um terceiro marido, que me pegue daquele jeito. Que me vire do avesso, que goste da coisa tanto quanto eu, que faça como eu faço e abale as minhas placas tectônicas. Que sacuda comigo as estruturas dos motéis da cidade, e que não ligue para luz acesa e lugares públicos. Um amante, uma paixão universitária, que me dê beijos desesperados e cheios de braços como um polvo.
E tudo isso nos conformes. Um sabendo do outro, sem crise. Todo mundo feliz.
Estranho? Nada. Estranho é não haver ninguém que reúna tanto borogodó em um só balacobaco.
arquitetado por Vivs * 23:57
Me beija, Scarlett:
[10.1.06]
DE ANIVERSÁRIOS E FASES DA VIDA
Fazer aniversário, para mim, é uma coisa surreal. Quem definiu que, a partir da meia-noite de uma certa data, eu envelheci um ano?
Não sei quem foi, mas foi uma grande idéia.
Hoje eu já tenho 22 anos. Que coisa.
Estou torcendo para que o dia seja bonito, ensolarado e bacana, e para que pessoas especiais e bonitas me liguem. Cla-ro.
Fora isso, uma fase foda. Eu quero minha analista de volta, porque, por mais que a fase seja a melhor do mundo pra quem está de fora, eu estou numa sinuca daquelas de bico.
Cheguei à seguinte conclusão: ou eu faço um retiro num mosteiro beneditino, ou não me livro dessas sinucas. E não termino a monografia.
E assim, eu chego aos 22 anos.
E a música (complexa e linda) que tenho ouvido com mais frequencia, por achar que é a minha cara nos últimos tempos, vai como forma de cantar parabéns pra mim:
"O por do sol
Vai renovar brilhar de novo o seu sorriso
E libertar
Da areia preta e do arco-íris cor de sangue
Cor de sangue, cor de sangue, cor de sangue
O beijo meu
Vem com melado decorado cor de rosa
O sonho seu
Vem dos lugares mais distantes, terras dos gigantes
Super-homem, super-mosca, super-carioca, super-eu, super-eu
Deixa tudo em forma, é melhor não ser
Não tem mais perigo, digo já nem sei
Ela está comigo, digo só não sei
O sol não adivinha, baby é magrelinha
O sol não adivinha, baby é magrelinha
No coração do Brasil..."
* Mas faça o favor de ouvir a versão da Zezé Motta.
arquitetado por Vivs * 00:54
Me beija, Scarlett:
[6.1.06]
"RAPAZES MAUS, MOÇAS NUAS" - RIO 40º, A CONSPIRAÇÃO
(Post gigante, duvido você ler todo!)
Alguns dias antes do natal, minha amiga Tuca me fez a seguinte pergunta:
- Vevis, vamo pro Rio no Ano Novo?
Respirei fundo, traguei a Bohemia que estava no meu copo e disse, com os olhos faiscando:
- Caralho. Caralhão. Num tô acreditando nisso.
É que, depois de muita vontade de ir ao Rio, seguida de uma broxada tamanho família, eu tinha decidido não mais ir. Ela diz:
- Deixa disso. Casa, comida e roupa lavada.
Eu senti meus neurônios levantando da mesa (que nem na propaganda da Nova Schin) e cantando funk.
Respondi.
- Vou pensar. Mas se eu for, vamo quebrá tudo.
Passou o Natal, e eu pensando. Quem diria. Eu estava pensando se queria ir ao Rio, passar o Reveillon na maior guerra e tomando solzão na Praia da Barra. Assustei comigo. "Será que eu vou? Será que isso vai dar pé? Será que eu vou fazer bem indo?"
Dia 28, véspera da viagem, eu levantei de manhã, olhei no espelho e disse em voz alta:
- Quer saber duma coisa? Eu vou pra essa porra. E foda-se.
Nem sabia se tinha passagem. Nem sabia qual seria a reação dos meus pais. Cheguei na rodoviária: últimas vagas. Pensei: isso é uma conspiração. "Tão querendo que eu vá.". Cheguei em casa com a passagem comprada e minha mãe riu. "Danadinha você.". Meu pai ficou puto, mas passou. E eis que eu, dia 29, com tudo conspirando a meu favor, embarquei pra Wonderful City, acompanhada da amiga. Coração na boca e frio na barriga - até ontem eu não ia, hoje eu já estou no baú!
Vamos ao que interessa:
1º dia - Se ela dança, eu danço
* Decididamente, a cor da Baía da Guanabara não é legal pra uma camisola.
* O Orondino fica muito bem usando rótulo de úisque como vestimenta.
* A Agnes é muito mais bonita pessoalmente.
* Apartamento da Lulu. Lá hospedados, além dela, de mim e da Tuca, a Lisa, o Deh e o Murilo. Ah, e a Rosinha. Woodstock dos tempos modernos, acredite. Em outros 2 apartamentos perto, mais 7 pessoas. Em cada um. Impossível colocar o nome de todos.
* O Leozão estava longe demais pra ser encontrado.
* A Júlia, vaca de presépio, não foi encontrada.
* A Mangueira entrou. Com bateria e tudo.
Frase do dia: "Tá me achando com cara de Cosme e Damião?
2º dia - Babilônia em Chamas
* Paguei peitinho Pulei ondinhas em Ipanema. E nadei com as águas-vivas.
* Secamos 2 garrafas de uísque.
* Macarrão ao gorgonzola. Cambalhotas num certo colchão inflável. Interfone tocando freneticamente (por que seria?).
* Bricadeiras com a caixa de maquiagem da Tuca.
* Performance inédita do Ney Matogrosso da casa. Maquiamos e vestimos uma saia num homem. Acredite.
* Todos de branco - e um homem de saias brancas -, fomos pra Copacabana ver 2005 ir embora. Pulamos ondas, tomamos banho de mar, chuva e vodka, dançamos ao som da bateria da Grande Rio, e agradecemos pelo fim daquele ano duro de engolir.
* Uma sueca louca roubou nossa vodka e jogou na cara.
* Beijo na boca debaixo de chuva é o que há. Fecho os olhos e sinto o perfume.
*Andamos de Copacabana a Ipanema atrás de uma certa rave. Rave de merda. Voltamos pra Copacabana.
* Cachorro quente no calçadão. E a Baía da Guanabara prestes a ficar azul.
3º dia - Meio perdido.
* Acordar ao meio-dia. E gripada, óbvio.
* Algumas pessoas foram embora.
* Almoço na Chaika. Jantar na Pizzaria Guanabara.
* Não deu praia. Nublou.
* Não teve NENHUM baile funk.
*Quase arrumamos marido no Sheganasnegas (eu juro que, quando vi o letreiro desse lugar, não consegui ler Shenanigan's)
* Eu fui à Lapa e perdi a viagem. Era só eu, a Tuca e a polícia. Nem as putas estavam lá.
4º dia - "Mó solzão..."
* Centro da cidade. Municipal, Biblioteca Nacional, Cinelândia.
* Almoço com Orondino na Confeitaria Colombo. Caralho de lugar lindo da porra.
* Compras. Vida de mulherzinha.
* Urca. Praia Vermelha. Pão de Açúcar. Corcovado. "Fustigados pela chuva e pelo eterno vento."
* Rodoviária. Hora de partir. Obrigada, Orô, pela carona e pelo tour ao Maracanã (sonho ver aquilo por dentro), ao bairro barra-pesada do Estácio e ao Sambódromo.
Na volta, o ônibus ficou 5 horas quebrado na estrada, o que levou a minha viagem a durar quase 24 horas. Mas eu, feliz que só, nem perdi o bom humor. Pra dizer a verdade, dormi profundamente todo esse tempo.
Contando assim, ninguém entende quanto foi bom. Fiz novos e grandes amigos, eu creio. Quebramos tudo. Abalamos Bangu em chamas. Foi bom, bom, bom demais.
O Rio de Janeiro continua sendo. E pretendo que seja Fevereiro e Março também.
Agora, com saudades do Rio, ouço e canto com meu vozeirão grave (comentário geral na casa isso), a seguinte canção:
"Meu Rio
Perto da favela do Muquiço
Eu menino já entendia isso
Um gosto de Sustical
Balé no Municipal
Quintino: Um coreto
Entrevisto do passar do trem
Nós nos lembramos bem,
Baianos, paraenses e pernambucanos:
Ar morno pardo parado
Mar pérola
Verde onda de cetim frio
Meu Rio
Longe da favela do Muquiço
Tudo no meu coração
Esperava o bom do som: João
Tom Jobim
Traçou por fim
Por sobre mim
Teu monte-céu
Teu próprio Deus
Cidade
Vista do outro lado da baía
De ouro e fogo no findar do dia
Nas tardes daquele então
Te amei no meu coração
Te amo
Em silêncio
Daqui do saco de São Francisco
Eu cobiçava o risco
Da vida
Nesses prédios todos, nessas ruas
Rapazes maus, moças nuas
O teu carnaval
É um vapor luzidio
E eu rio
Dentro da favela do Muquiço
Mangueira no coração
Guadalupe em mim é Fundação
Solidão
Maracanã
Samba-canção
Sem pai nem mãe
Sem nada meu
Meu Rio.
E se você leu até aqui, parabéns!
P.S.: Amanhã deve ter Ressaca do Sambão da Lulu. Reencontrar a galera.
P.S. 2: Terça é meu aniversário. Adoro.
P.S. 3: Hoje descobri que meu blog não vale nada. Olha aí do lado.
arquitetado por Vivs * 14:14
Me beija, Scarlett:
[3.1.06]
REVEILLON NO RIO
ABALOU BANGU EM CHAMAS.
Ocorrências. Resultados. Marcas de biquíni e hematomas no pescoço.
Sifudê. Reveillon bom do cacete.
Post mais consistente em preparação.
arquitetado por Vivs * 23:06
Me beija, Scarlett:
|