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[28.2.06]
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arquitetado por Vivs * 20:13
Me beija, Scarlett:
AMORES BRUTOS
Sinto muita raiva deles quando são grosseiros, cospem no chão, mastigam palitos de dente.
Mas quando eles sorriem como meninos arteiros, me dá vontade de enchê-los de tapas e cobri-los de beijos.
Porque eles são safados, desonestos, mentirosos e traidores.
Mas quando eles me apertam com a força com que se deve apertar uma mulher, e me erguem do chão como a uma dama, e me fazem rir com isso, eu me desmancho.
Eles são masculinos como o mar e, como o mar, dão caldos, vêm em ondas imprevisíveis e afogam. São capazes de matar.
Mas, assim como o mar, exercem um fascínio inexorável, e quando me lambem como o mar me lambe com suas ondas lânguidas e verdes, eu desejo me afogar.
Odeio-os, porque não valem nada. Fazem o que querem, somem-se na poeira, discursam aquele discurso mole, cheiram mal.
Mas é imperativo amá-los quando têm bocas lindas, quando suspiram segurança, quando falam inteligentemente - e com sotaque.
São irresistíveis porque sua auto-estima é sólida como o Corcovado. Porque dançam conosco o Último Tango amanteigado (e são uns filhos da puta, porque nos convencem a essas coisas). Odiamos a agressividade, mas quando essa lhes falta, não queremos papo com eles. Não carregam segredos, porque são o segredo. Os mais bonitos são capazes de provocar catástrofes. Os mais inteligentes são capazes de provocar suicídios. Os mais sedutores são capazes de provocar transes intransponíveis. Têm, todos e cada um, o poder dos arquétipos masculinos dos orixás: são criadores, caçadores, donos do fogo, da medicina, da morte, do sexo. São velhos e jovens. São necessários. Por isso são odiados.
Porque, ao contrário do que apregoam as infelizes feministas, mulher não se arruma para outra mulher. As que assumem esse posicionamento não se são conta de sua própria fraqueza e futilidade. É neles que eu penso quando me arrumo, me visto, me perfumo. Porque quando você vai nadar no mar, é na água que pensa, não nos banhistas estendidos na areia.
E entre os meus, como será o próximo? Quem será ele? Que erros cometerá? Que erros cometerei? Dormira de bruços, fumará Camel, comerá carpaccio? Usará All Star, ou Timberland? Como brigará? O que cozinharei pra ele, que música cantarei para embalar-lhe os sonhos? Me permitirá fazer-lhe a barba? Com quem me trairá?
Esta ode é para eles malditos e irresistíveis. Porque posso viver muito bem sem eles. E porque não posso. E repito o que se falou n'A Tempestade: Não existe coisa mais monita neste mundo que um homem.
arquitetado por Vivs * 20:07
Me beija, Scarlett:
[24.2.06]
Ai, não posso com uma cuíca?
Carnaval é pra você, que tem sangue de mulata dengosa brasileira.
Maracanã, batucada, serpentina, paetê e avenida.
Olha o breque! AAAAAAAAAAAAAAAAi.
Que lindo!
Carnaval é na MANCHETE!
Pra quem vai e quem fica, pé na jaca, cerveja gelada, beijo na boca e passistas gostosas. Bom carnaval.
P.S.: Post descaradamente roubado da comunidade Vou Pro Samba do Orkut. Sambão virtual. A coisa mais sem noção de que eu já participei.
arquitetado por Vivs * 18:39
Me beija, Scarlett:
[20.2.06]
QUE AS PEDRAS ROLEM SOBRE O PROJAC
Ganhei milhas para ir ver os Stones ao vivo no Rio, mas como o Brasil inteiro estava com a mesma idéia que eu, perdi as vagas. Não sobrou nenhumazinha para eu ir lá tentar agarrar o coroa mais gostoso do mundo em suas supersexies performances. Como minha TV a cabo não tem o Multishow, me contentei com a porcaria da Rede Grobo e sua transmissão fraudulenta.
Senão, vejamos: a transmissão da Globo foi uma bosta. Decididamente. E eles querem me convencer de que foi ao vivo. Aham. Foi.
Na Folha de São Paulo e no Correio Braziliense de hoje, eles justificaram essas horas redondas com uma história de delay e o cacete e não sei mais o que, mas o fato é que aquele filho da puta do Jeca Camargo entrava bem no meio, entre uma música e outra, falava uma meia dúzia de merda e lá se iam 4 minutos de comerciais.
O que me deixa indignada é que, além dessa história de delay não colar (eu duvido que nesses intervalos não se tenha perdido algum momento de improviso, algo bacana), esses filhos da puta metem intervalo no meio de um show, coisa que não fazem no meio de um jogo de futebol, independente do time que seja.
Nunca mais vou sequer aguentar ver a cara do Jeca Camargo na minha vida. Propaganda de margarina Delícia no meio da reboladinha do Mick Jagger. Logo ele, que rebola de um jeito tão, mas tão macho, que me deixa desconcertada. Aos pés dele, só o Iggy Pop. Joguei tanta coisa na TV que nem sei bem como ela ficou inteira.
Sábado de fúria. A Globo decididamente é uma bosta. Só tô esperando pra ver o que vão fazer com o show do U2 hoje.
P.S.: Só esperando o momento de ser explusa do Blogger por conta disso e virar um Erro 404.
P.S. 2: Já tinha motivos pra odiar essa emissora - incluindo o sacrilégio de colocar o Marcello Anthony de batom na novela das nove. Carajo.
P.S. 3: Agora, com licença, porque hoje a Julia Assunção pega o gostosão do marido dela na cama com a piranha da filha dela. Vai voar pena pra tudo quanto é de lado.
arquitetado por Vivs * 19:18
Me beija, Scarlett:
[14.2.06]
GÊNESIS DO CRIOULO DOIDO
Silêncio daqueles tão densos que se corta com uma faca. É assim que imagino o universo antes do big bang.
Mas big bang? Por que isso? Vamos reformular.
Silêncio daqueles tão densos que se corta com uma faca. É assim que imagino o universo antes de Olorum separar o Aiyê do Orum.
É, Olorum. Por que Deus? E por que não Aiyê e Orum ao invés de Terra e Céu? Esse reducionismo cristão ainda vai fazer muita gente desperdiçar neurônios à toa.
Vamos tentar pensar diferente.
Olorum ligou o som e colocou um disco. Ao som de Breathe, separou o Aiyê do Orum, e foi morar no Orum. Deixou o Aiyê em branco. Um dia, pensou que algo de bom poderia ser feito no Aiyê, e separou de si Orisala, orixá da criação, e o mandou ao Aiyê, com um saco contendo um segredo, e com a ordem de criar o mundo.
Chegando ao Aiyê, Orisala ficou com muita sede e bebeu vinho de palma. Tanto que ficou bebum, incapaz de fazer qualquer coisa. Olodumare, orixá do destino, viu a situação e dedou pra Olorum. Olorum ficou com raiva e mandou Olodumare tomar o saco de Orisala e criar, ele mesmo, o mundo.
Então Cronos, deus do tempo, ouvia Time e, com muita raiva, cortou o saco do Céu enquanto ele estava dando umazinha com a Terra. Jogou o saco do Céu no mar, e dessa brincadeira, nasceu Afrodite.
Não, não é nada disso. Misturei as estações.
Olodumare jogou o saco do segredo no mar do Aiyê. O segredo era solo fresco. Escolheu Astronomy Domine. Colocou uma galinha d'angola em cima do punhado de terra, ela ciscou e assim se formaram os continentes.
Então veio Javé. Pediu a luz, e ela veio. No céu, ecoava The Great Gig in The Sky. Deu o play em Interestellar Overdrive, pediu as estrelas, o sol e a lua, e eles vieram. Quando começou a tocar Vegetable Man, pediu as plantas, e elas vieram. Pediu os bichos e eles vieram - tocava Pigs On The Wing. A Terra ficou cheia de vida.
Com tanta coisa linda acontecendo, Deus achou de criar um ser parecido com ele. Pensou no que usar. Parou diante de um pântano, cheio de lama no fundo. Do pântano saiu Nanã, que ofereceu a lama para que ele fizesse o homem. E ele se inspirou.
Ligou Shine On You Crazy Diamond, respirou fundo, esfregou as mãos, limpou o suor da testa. Momento sublime. Só a guitarra de Gilmour tocando. Quando entrou a bateria de Mason, Orisala colocou as mãos na lama e começou a moldar alguma coisa. Desenhou, passou as pontas dos dedos com cuidado, e começou a achar que estava ficando bom. Fez um homenzinho de barro, lindo, e depois de pronto, levou para Olorum ver. Javé aprovou, e soprou nas narinas dele, bem na hora que toda a banda cantava o refrão. Deu a essa nova criatura o nome de Syd, e ele saiu dançando ao som da música que tinha sido feita para ele.
Nesta hora, começou a guerra do Mahabarata, na qual Shiva, inspirado pela dança criativa de Syd Barret, cantou o Bhagavad Gita.
Pra arrematar toda essa criação complexa, Newton criou a Gravidade. Lavoisier criou o Oxigênio. Einstein criou a Relatividade. Tutankamon criou a Cerveja. Elvis criou o Rock 'n Roll.
Hofmann, ao som de Lúcifer Sam, criou o LSD, e com ele o diabo saiu da árvore e ofereceu a maçã a Eva (ou seria Emily?).
Roger Waters criou o Dark Side of The Moon, e com essa deixa, Syd Barret, o primeiro homem, pirou na batatinha e, quando os anjos tocavam The Piper at Gates of Dawn, saiu correndo do paraíso montado numa Bike.
Estava feito o Pink Floyd.
E Allah disse que era tudo muito bom.
Post especialmente criado, sob as bênçãos de Thor, para o 17º Concurso dos Blogueiros Malditos . Dedicado ao Pink Floyd, melhor banda que já passou sobre o Aiyê, e que essa semana declarou seu apocalipse oficial. Salam Aleicho.
arquitetado por Vivs * 20:38
Me beija, Scarlett:
[7.2.06]
CLUBE DOS BOCA-SUJA
Já ouvi muita gente por aí questionar os motivos pelos quais a gente gosta de falar palavrão. Eu não sei quais são os seus, mas pra mim, falar palavrão é importante, porque uma pessoa expansiva e barulhenta, como eu, precisa de palavras que ajudem a compor frases da mesma categoria.
E convenhamos, quando a gente tenta substituir palavrão por algum sinônimo educadinho, a coisa não tem a menor graça. O palavrão nos permite explodir e desabafar.
Por exemplo, aquela pessoa que te sacaneou, que te fez algum mal, é um filho da puta e pronto. Não adianta dizer que é um biltre, nem nada do gênero.
O mesmo vale pros escrotos. Não aqueles, da anatomia. Os cidadãos escrotos. Malévolos e mau-caráter, talvez nem eles mesmos saibam que sinônimo dar à escrotisse deles.
E gente burra, então? Não que um animal desse, de tão ignorante, seja um beócio. É que esses beócios por aí, de tão ignorantes, chegam a ser burros. Animais de quatro patas. Quadrúpedes.
Foda é uma palavra complexa. Foda pode ser, ao mesmo tempo, uma coisa difícil, uma coisa péssima e uma coisa deliciosa. A prova de Cálculo 5.2 foi foda. O aumento das passagens foi foda. O show dos Stones vai ser foda. E falta de foda não tem outro nome: é foda. Paradoxo.
Não fode significa "não dificulte as coisas", ou "não enche o saco". Gente assim é que não fode.
Uma coisa boa por demais é, simplesmente, do caralho. Eu entendo, mas pergunto por que os homens usam essa expressão.
E caralho de asa, além de interjeição, é uma coisa muito estranha. Mesmo.
A puta que pariu não é uma senhora de vida fácil (?) que deu à luz uma criança. É um lugar longe pra porra, mas também pode ser um lugar péssimo. A casa do caralho segue a mesma linha.
Porra pode ser tanto o que engravidou a puta que pariu, quanto uma interjeição, um ponto de exclamação, ou uma coisa ruim: é proibido falar porra nessa porra, porra!
Porra é um palavrão do caralho.
Vai tomar no cu é uma expressão dúbia, mas funciona, porque ofende até quem se amarra.
E de cu é rola é mais dúbia ainda, mas é a melhor delas, porque ninguém explica, mas todo mundo entende.
Mandar às favas é uma expressão interessante, porque com ela você é capaz de mandar alguém pra puta que pariu, pra casa do caralho e tomar no cu ao mesmo tempo. Mas você não manda ninguém às favas, manda?
E por aí vai. É por isso que eu falo palavrão.
Entre a frase "Da próxima vez que eu vir Sr. Mendonça, o biltre, mandarei aquele beócio às favas, pois nenhum trabalhador deveria possuir um chefe tão malévolo. Não dificulte as coisas, grande lider! Outro relatório não faz sentido algum, oras!",
e a frase "Da próxima vez que eu encontrar o filho da puta do Mendonça, vou mandar aquele quadrúpede ir tomar no cu na puta que o pariu, porque ninguém merece um chefe tão escroto! Não fode, Mendonça! Relatório de cu é rola, porra! Vou é praquele buteco, porque lá o chopp é do caralho*.",
qual você escolheria? A polida ou a desabafante?
*Quem fala com o palavreado da primeira frase não vai a buteco.
arquitetado por Vivs * 18:45
Me beija, Scarlett:
[3.2.06]
"AQUI EMBAIXO, AS LEIS SÃO DIFERENTES"
Se você é estudante-universitário-estagiário-pobre como eu, a essa época do mês você já está em total estado de desespero.
Sua grana acabou, e você não quer pedir pra sua mãe. Sua grana acabou, mas as xerox e os livros não param de ser necessários. Sua grana acabou, mas sua gana de tomar cerveja na sexta à noite não passou.
E parece que, assim que a uruca da falta de grana se abate sobre você, todo o resto passa a seguir o mesmo caminho. Quebrou a firma, quebrou o resto. Na semana passada e início desta, na iminência da declaração total de falência por minha parte, tudo o que pudesse ter cara de pobreza aconteceu comigo.
Peguei um ônibus vindo da Samambaia. Daqueles com a porta que nem abre mais, e que também não fecha, porque a borracha que veda está ressecada. Daqueles com o pneu coberto por uma crosta de lama. Lotado. Todo mundo indo pro trabalho. Aí, depois de muito rodar, quase uma hora de viagem, quando chega ao fim da Esplanada dos Ministérios, o dito-cujo simplesmente pega fogo. Pega fogo, minha gente. Incendeia o eixo da roda de trás, e começa a entrar uma fumaça insuportável dentro do baú. Todo mundo desce e fica na chuva esperando outro passar.
Aí cai uma tormenta daquelas de vento, e quando eu saco o guarda-chuva compacto da bolsa (detalhe: guarda-chuva compacto em chuva de vento é algo que não ajuda em nada), noto que ele já está com uma das barbatanas quebradas. Abro o fulano, vem um vento por baixo e vira ele do avesso. Pronto.
Nesta mesma chuva, passa um cidadão num Audi A3 e levanta uma onda de lama sobre as pessoas paradas no ponto de ônibus. Todo mundo faz uma cara de choro e desespero, e o cidadão do Audi dá uma buzinadinha.
Vou almoçar no RU como todo estudante quebrado. No refeitório carnívoro, o prato principal é Dobradinha. No vegetariano, é Cozido de Soja à Brasileira (carne de soja com banana, maxixe, jiló, abóbora e repolho). O que você, no meu lugar, faria?
Claro, levaria marmita de casa, por falta de grana pra pagar o RU, também.
Aí estou correndo pra tomar o ônibus, e uma das tiras da minha sandália arrebentam. Nice.
E depois de tanto ônibus, fico sabendo que o próximo Encontro Nacional de Geógrafos vai ser no - que sonho! - Acre. Rio Branco. Depois de muitas incursões aos sites de companhias de aviação, chego a conclusão de que, do jeito que tudo está, avião não dá. Serão 4 dias de baú, mesmo. E Rio Madeira de balsa.
É a zica do pato preto.
E quando você pensa que acabou, tem mais.
Vai ao supermercado tentar levar alguma coisa muito necessária pra casa, e, na hora de passar no caixa, com aquela esperancinha de ter algum R$ 5 na conta, seu cartão acusa NÃO APROVADA. Vergonha nacional.
E no fim de semana, trancafia-se em casa e longe do samba, por falta de 10 conto pra pagar a entrada.
Você entra de corpo inteiro na pobreza. Coisa triste, gente boa.
É do povo e pronto. Zé Ninguém. Pelo menos até o dia do próximo pagamento.
arquitetado por Vivs * 12:26
Me beija, Scarlett:
[2.2.06]
P.S.: O Vasco fora do campeonato. Ma que carai, como diria uma amiga minha.
P.S. 2: Eu sou, decididamente, um PÁRA-RAIO DE MALUCO.
P.S. 3: Amanhã, dia de mamãe Iemanjá, querida rainha do mar.
P.S. 4: Você acredita nesses testes de site de mulherzinha?
arquitetado por Vivs * 00:15
Me beija, Scarlett:
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