27.9.06

PORCOS E DIAMANTES



Em Brasília, 11:30 horas. Céu encoberto a nublado. Podem ocorrer chuviscos isolados. Temperatura máxima: 25º C. Mínima: 18º C. Umidade relativa do ar entre 90 e 50%.
Brasília está tão bonita hoje, que agora, olhando pela janela, tenho vontade de chorar. Nublado, tudo cinza - tudo, exceto as cores das roupas das pessoas e as várias nuances de verde, até o marrom, das folhas que ainda se acostumam à volta da chuva, depois de seis meses.

Essa cidade é bad to the bone.

Sabe o que fode? As caras dos filhos da puta estampadas nas bandeiras, cartazes, santinhos, panfletos e o caralho a quatro de óculos, pela cidade afora. O cheiro de merda e de orégano - como se fosse possível, pizza de merda - se alastrando pelos pontos clássicos da cidade. Esplanada, Eixo Monumental, prédios públicos que permanecem com as luzes e máquinas e ares condicionados ligados 24 horas por dia, gastando o dinheiro do povo. Essa porra toda.

Domigo é dia. É o maldito dia em que eu vou ter, muito a contragosto, que sair da minha casa, ficar cerca de 2 horas na fila, para me posicionar diante daquela maquininha opressora chamada "urna eletrônica". Urna. O símbolo da maldita, falida e desequilibrada democracia que não serve pra porra nenhuma e nos une num só corpo de condenados.

Em quem votar? Nos novos bandidos ou nos antigos ladrões? Votar, só se for na massa dos filhos da puta.

Hoje de manhã fui recebida com uma piada, pelos meus colegas de sessão. Diz que, por ocasião de sua primeira visita ao Brasil, no fim da ditadura militar, o Papa João Paulo II perguntou ao então presidente Figueiredo por que ele tinha tantos ministros. O presidente milico responde:
- Ah, Sua Santidade, Jesus tinha 12 apóstolos, eu tenho 12 ministros.
O caso é que, se o papa Bento "Ratzinger" XVI viesse ao Brasil hoje e perguntasse o mesmo ao atual presidente, Lula responderia:
- Olha, Ali Babá tinha 40...

Claro que morri de rir. Mijei nas calças.
Mas a base da piada, o fundamento dela, é de chorar. Isso é.

Essa cidade bonita, esse país poético, essa porra toda, afogada no mar de lama sem nome das putarias individuais de uma corja de filhos da puta. O dia 1º de outubro me reserva o sagrado direito ao pleito, um pleito do qual eu simplesmente tenho NOJO de ter que, obrigatoriamente, participar.

Eu tenho nojo. Ando pelas ruas planas e limpas dessa cidade modelo, planejada, arejada, céu aberto e nuvens que roçam o chão, meu nariz coça de emoção por tudo isso e, de repente, um trio-elétrico do cafetão-mor do país corta meu barato, com uma melodia de quinta, uma foto gigante de barba escovada e dentes de porcelana retocados no Photoshop, encimado por umas gostosas desvestidas padrão ABNT, que tentam, por tudo, me convencer de que "É Lula de novo, com a força do Povo". "Só se for com a força do PoLvo", eu penso, elaborando aquela piada interna. "É Lula de novo, com a força do Polvo - Eleições na Fenda do Biquíni*.". Só rindo pra não me debulhar em lágrimas, em vômito e em dor de barriga, de tanto nojo.

Eu só tenho 22 anos, e sou cética, e tenho nojo. Votarei nulo, no próximo domingo, e tratarei de ir à sessão trajando luto por mim, pelo meu vizinho, pela minha família, pelo meu país. A democracia é morta, está podre e fede, e eu sinto nojo do cadáver da democracia. Uma democracia em que liberdade é confundida com "fazer o que dá na telha", e daí funcionário público faz o que for pra ter o Fusion do ano, político faz de tudo pra preservar seu "Seguro terno Armani", Joãozinho faz de tudo pra roubar o doce de Juquinha, e fraudar, e passar a mão grande, ganhar, ter, se dar bem.
"Não há mais solução", eu chego a pensar. Tenho nojo.

Irei às urnas num domingo que promete céu claro, poucas nuvens, média umidade do ar. Dia perfeito para levar as crianças ao parquinho, e eu perderei boa parte dele nessa luta infeliz, com gosto amargo na boca. Nojo. Luto. Tomara mesmo que seja só primeiro turno.

* Se houvesse eleições na Fenda do Biquíni, eu preferiria votar no Bob Esponja do que no Lula Molusco, tamanho o trauma por causa do animal marinho em questão.

P.S.: E VIVA COSME E DAMIÃO!

por Vevs em 18:22
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Comenta, mas não empurra: 23.9.06

(EM)BAINHA



O silêncio é profundo. Há os olhos dele, e os meus olhos, e a luz dos postes da rua e a voz da Virgínia Rodrigues e os cabelos grisalhos dele. Há vestimentas e não há, há barulho e não há, e há silêncio. Sinto meu interior em silêncio. Ele invadiu e devassou e colocou abaixo meu interior. Agora sou eu e eu e eu e ele, não mais em rota de colisão, mas em introspecção profunda à alma um do outro, um dentro do outro dentro do um.

Quando duas divindades colidem, tudo se torna harmônico. Não há explicação: nem mediunidade, nem estado alterado de consciência, nem incorporação, nem manifestação divina. O tantra é a explicação de tudo isso, não o oposto.
"Não houve colisão, mas o entrar verdadeiro, quando dois seres se fundem revivendo a unidade primordial. Ali não houve dualidade; apenas o Ser manifesto no mutismo, pois as palavras não conseguem exprimir com plenitude o êxtase." É contradição.

É nesse instante que o humano se torna absoluto, e toca as raias do divino. Isso significa, de fato, "tornar-se uma só carne". Não se faz mais amor com o corpo, porque o corpo deixa de existir como centro do ato, e passa a ser veículo. O corpo não é senão aparelho para o transe, cavalo da divindade, e a plenitude do que se realiza, naquele instante, é o que perdura. Assim deve parecer.
A alma dele calou o eco das vozes que não me permitiam acessar minha própria alma. Naquele instante, não sou mais vir a ser. Sou.

O profundo silêncio me tornou mulher absoluta, e o barulho não mais ecoa, já que sou toda oceano, preenchida. Tenho o mar inteiro dentro do corpo, e as ondas repuxam, atraem, afogam. Nenhuma oração é perfeita, nenhuma dança é sagrada, nenhum orgasmo é múltiplo, até o momento do silêncio, da imobilidade e do nada que nos encontram no sem-nome da oração sagrada, una e dual de Shiva e Shakti.

Nada. Tudo. Absoluto.

"There are caravans we follow
Drunken nights in dark hotels
When chances breathe between the silence
Where sex and love no longer gel

For each man in his time is Cain
Until he walks along the beach
And sees his future in the water
A long lost heart within his reach"


por Vevs em 11:23
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Comenta, mas não empurra: 20.9.06

PRESENÇA E COMPANHIA



"Ne me quitte pas
Il faut oublier tout
Peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà;
Oublier le temps
Des malentendus et le temps perdu
A savoir comment;
Oublier ces heures qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur.
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas;
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière!
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine...
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je t'inventerai des mots insensés
Que tu comprendras;
Je te parlerai de ces amants-là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser.
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer...
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

On a vu souvent
Rejaillir le feu
D'un ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux.
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril;
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas...
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas


Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là,
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire...
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien,
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas..."


Porque poucas coisas no mundo são realmente importantes.

por Vevs em 15:04
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Comenta, mas não empurra: 15.9.06

"E TENHO MUITO MAIS O QUE FAZER"



Tinha uma luz entre as persianas, e essa luz tocava as rugas ao redor dos olhos dele. Seu cabelo era tecido com meadas de fios de prata, prata como a cor das minhas sandálias, mas eu estava nua e não usava sandálias.
Meu coração batucava feito um tamborim da Mangueira, e o coração dele batia como o surdo de segunda da Portela, e nós dois batíamos um partido do Paulinho da Viola.

Sambei trançado à luz da lua, e desfilei samba sincopado na cama do mestre da bateria.

Acordei com o sol e o colibri me beijava. Feliz, como o samba do Nelson. E a folha caía serena dentro do gongá, que a cama de quem faz amor vira um altar. E altar de sambista é mesa de bar, onde a gente toca em caixa de fósforo, sob a sombra da tamarineira. Porque samba é que nem amor, é feliz e é triste. Por isso, fazer samba é a nossa alegria.

"Deus me deu um coração poeta
E a alma inquieta de um cantor
Pra que eu vigiasse a madrugada
Acordasse o sol e o beija-flor

Cantar me faz
Viver bem mais
Soltar a voz que nem um passarinho
Que ninguém prenderá jamais

Se eu sou feliz ou infeliz
São lindas minhas penas
Vale a pena ser quem sou
Se eu tenho o céu aqui no chão
Se eu tenho mel no coração

Deus me deu um coração poeta
E a alma inquieta de um cantor
Pra que eu vigiasse a madrugada
Acordasse o sol e o beija-flor

Cantar me faz
Viver bem mais
Soltar a voz que nem um passarinho
Que ninguém prenderá jamais"


"Eu faço samba e amor até mais tarde / E tenho muito sono de manhã".


P.S.: Mode "Sequelada" ON
P.S.: "As pragas e as ervas daninhas / As armas e os homens de mal / Vão desaparecer nas cinzas de um carnaval"

por Vevs em 12:01
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Comenta, mas não empurra: 11.9.06

LAVA ROUPA TODO DIA



Desde que inaugurei meu primeiro blog, comecei a protagonizar, além da minha própria história, várias outras paralelas. A exposição, a abertura, essa coisa de se colocar na vitrine pra todo mundo ver, sempre foi bom e muito complicado. Tive contato com gente muito divertida, maluca, inteligente. Gente especial, de verdade. E olha, eu adoro gente. Muitos fizeram contato via blog, depois msn, depois email, telefone, contato imediato de 3º grau. Amigos, companheiros de blog, compartilhadores de idéias. Isso tudo foi e tem sido muito legal.

(Não, eu não estou pensando em deletar o blog, antes que você comemore.)

Acontece que, nos últimos dias, tenho sido visitada por alguns fakes (usando orkutianês), fantasmas, malucos que não assinam o nome de forma geral. Não dá pra saber quem são eles, nem de onde vêm, mas por enquanto isso não é necessário. Eu apenas quero, agora, me dirigir a eles, especialmente a eles, sejam quem forem - mesmo se forem, todos, a mesma pessoa, o que é possível.

Augusto, você é uma pessoa (homem ou mulher) muito inteligente. Só o seu português e o seu inglês não são muito bons. Suas primeiras mensagens até me convenceram de que você poderia ser quem pretende que eu creia que é; se a última não tivesse sido tão mal escrita, tão clichê, tão esvaziada, eu iria botar a maior fé. Mas você nunca se parecerá com ele. Ah, e a frase do Led termina com "will you HEED the master's call", não com "will HEAL...". Foi isso. Easy like a sunday morning.

Curioso, talvez você seja dessas pessoas (homem ou mulher) desinformadas e preconceituosas a respeito da religião dos outros. O mal sempre está no outro, não em nós, não é verdade? Mas não precisa ter medo, muito menos essa "curiosidade" negativa sobre se eu sou "macumbeira", ou umbandista, ou filha-de-santo, se eu bato tambor ou coisa que o valha. O importante é que eu sou uma pessoa protegida, de fé forte e muito religiosa. E é isso o que você precisa saber, por enquanto. A propósito, "macumba" é uma palavra originada do idioma quimbundo, e significa "tambor" - dessa feita, todo baterista da face da Terra é um macumbeiro de primeira. Te aconselho que cuide melhor da sua própria fé e de sua intelectualidade.

Agora você, Julia (ou Denguinha, whatever). Seu namorado é um grande cara. Sabe qual é a melhor parte? É seu! Tá contigo e não abre! As mulheres fortes e voluntariosas, como você, tendem a gastar, muitas vezes, uma energia enorme e potente em demandas que não têm razão de ser. Eu não te ofereço perigo algum. Sou inofensiva. Minha relação com seu homem foi - no pretérito mais-que-perfeito do verbo "já era" - de muita amizade, e não é mais, por escolha completamente dele. Uma mulher bonita como você, que tem ao lado um homem como ele há tanto tempo, deveria confiar mais no próprio taco, e completamente no taco dele. Conhecendo o cara até onde conheço, posso dizer que se ele quisesse ter algo comigo, teria, nem que eu morasse na Groenlândia, porque ele é do tipo que LUTA. Seu namorado tem lutado fortemente por você - então canalize suas energias para uma luta que faça sentido de verdade. Não aja como se fosse matar um frango pra mim numa encruza à meia-noite, nem como se quisesse retalhar a minha cara com gilete, porque eu estou distante e não represento risco - isso não seria o meu tipo nem se eu quisesse, o que não é o caso.

That's all, folks. Precisando, me mande email, scrap, torpedo, me liga, comenta. Mas comenta com seu nome e email, pra evitar esse tipo de constrangimento. Não precisando, vá se fuder. (Pra não perder o hábito da boca-sujisse).

Voltemos à nossa programação normal.

P.S.: Flavíssima, pode deixar que eu etiquetarei-me devidamente no próximo post.
P.S. 2: É impressionante como, pelo menos uma vez ao ano, eu tenho que fazer um post desses. Lamentável.

por Vevs em 14:00
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Comenta, mas não empurra: 8.9.06

REFLECTIONS



Eram as frestas de janelas da 212 sul. Chovia uma chuva constante, pingos grossos que escorriam nos vidros do ônibus - que ela tinha a carta, mas não gostava mesmo de dirigir.

Lembrou seus momentos de dor, de lágrimas que jorravam por causa de um beócio qualquer, era Fernando, não sei; Vinícius, Carlos, Leonardo, não importa. O que importava mesmo era a sua dor, era essa dor que mesmo depois que passa é nossa e ninguém tira. O que importava mesmo é que ela chorava como nunca, a cada vez que eles a deixavam. Se sentia substituta e substituída. Chorava um choro dolorido e silencioso, desses em que as lágrimas se misturam com coriza, com saliva, e a gente dorme como um bebê depois disso e acorda com a cara inchada e a cabeça latejando.

As luzes da cidade eram bonitas mesmo. Sempre foram. Na 212 sul elas eram uma coisa meio azulada, na 312 eram amareladas. Luzes amareladas naqueles janelões eram uma coisa quase pornográfica. Imaginou sua própria silhueta nua, de costas contra a luz, muita bunda e pouco peito, mãos na cintura. Uma luminosidade prateada escorrendo da lua para dentro do quarto, a chuva indócil e doce escorrendo pelas portas envidraçadas. Ele sairia do meio dos lençóis, acariciaria-lhe a linha da coluna e as curvas das nádegas, ela sorriria e cairia na cama de novo, com a cabeça dele entre as coxas, algo de Iansã com Xangô, e o clarão de um raio iluminou a silhueta dele na cama.

"A cidade é como uma mulher: precisa carinho, afago, paciência." Assentou a cabeça no vidro gelado de chuva e cochilou, no balanço do 154.2.

por Vevs em 15:40
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Comenta, mas não empurra: 2.9.06

AÇOUGUE DE INTELECTOS



Ter um blog nunca fez muito sentido na minha cabeça, mas não tê-lo, depois que ele entrou na minha vida, fez menos sentido ainda.
Através dessas linhas digitais, descobri coisas impensáveis e indizíveis sobre mim mesma, e tive o prazer de me ver tendo encontros fantásticos com os superegos mais diversos ao redor da blogosfera.

Ter um blog é muito legal. Às vezes é ilegal. Mas o mais importante dessa coisa de ter blog é o conhecimento. Depois que se entra na blogosfera, os códigos, linguagens, movimentos dessa atmosfera não saem mais de você. O seu senso de humor, a sua visão de mundo, o seu sentimento pelos acontecimentos, tudo é impregnado por um sentido "internético". Tudo o que vejo me dá idéia pra post. Tudo o que sinto me inspira novos textos. E o blog vem sendo essa ferramenta importante pra minha expressão, pra minha descoberta, pro meu falatório diário.

Salamandra, porque elas são animais lindos e versáteis. Mudam de cor, não são sólidas nem líquidas, mudam de sexo quando é conveniente e, nas antigas lendas da mitologia celta, representam o elemento fogo. E também é o nome do cargo do cidadão que tem como trabalho entrar nas caldeiras em chamas das regiões petrolíferas. Essa sou eu.
Verborrágica, porque eu falo demais, eu falo mais até do que você, e não acho que tenho a obrigação de só falar coisas que façam sentido. Mesmo porque, cumpadi, se a sua mente é uma coisa linear e tudo faz sentido nela, eu quero é distância da sua pessoa. Essa sou eu.

Loucura por loucura, a internet já é uma coisa louca por si só. E as coisas que me acontecem pelos sítios mais recônditos da Web são apenas espelhos. Cada amigo, cada personagem, cada jogo, cada blog, cada filme pornô é um espelho, sou eu refletida, e os meus desejos, meus não-desejos, meu ego, meu superego e meu id. Amo e odeio a internet, porque ela me deu e me dá dores deliciosas de sentir.

E ontem foi Dia do Blog. Eu até quis escrever e dar parabéns a todos os blogueiros e blogueiras que, de alguma forma, participam da minha incursão ao meu mundo particular e ao mundo internético, mas comigo as coisas só funcionam na inspiração - mais uma coisa que descobri tendo um blog. Sendo assim, parabéns a todos os artistas, poetas, malucos, secos e molhados em geral, que expõem seus interiores na vitrine da web, seja por coragem, seja por loucura, ou por puro exibicionismo, mesmo. Beijos a abraços aos blogueiros-coragem, aos blogueiros-tristeza e aos blogueiros-comédia que tanto me inspiram nessa jornada através da loucura digital.

Habemus weblog.

por Vevs em 00:03
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