27.11.06

A MORTE DA BEZERRA



Inspiração zero, e nenhuma vontade de recuperá-la. Estou em processo de desconexão, e pode ser que esse blog acabe.
Pode ser que depois do fim, outro comece.
Não, não há nada de errado. Está tudo bem, feliz, rosa, cheio de açúcar. Pelo menos tudo em partes.

Sambemos:

"Quando o sol
Se derramar em toda a sua essência
Desafiando o poder da ciência
Pra combater o mal

E o mar
Com suas águas bravias
Levar consigo o pó dos nossos dias
Vai ser um bom sinal

Os palácios vão desabar, sob a força de um temporal
E os ventos vão sufocar o barulho infernal
Os homens vão se rebelar dessa farsa descomunal
Vai voltar tudo ao seu lugar, afinal

Vai resplandecer
Uma chuva de prata do céu vai descer
O esplendor da mata vai renascer
E o ar de novo vai ser natural;
Vai florir
Cada grande cidade o mato vai cobrir
Das ruinas um novo povo vai surgir
E vai cantar afinal...
As pragas e as ervas daninhas
As armas e os homens de mal
Vão desaparecer nas cinzas de um Carnaval..."

As Forças da Natureza, Clara Nunes e João Nogueira


por Vevs em 13:50
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Comenta, mas não empurra: 11.11.06



*mode Mulherzinha ON

Pra mim, existe um top 5 das melhores coisas do mundo:
* Comer
* Comer¹
* Música
* Salão de Beleza
* Ler

Quando eu consigo me dar um dia de salão de beleza, é indescritível o prazer que sinto. Milhares de mãos massageando meu couro cabeludo, sob um suave jato de água quase fria. Pentes, escovas, tesouras, navalhas, cremes, shampoos, coisas cheirosas de forma geral. Milhares de mãos massageando a minha pele e arrancando dela à maneira mais dolorosa os pêlos que erraram de mira e nasceram em mim e não no homem mais próximo. E eu saindo com a sensação de estar 5kg mais magra a cada sessão.
Milhares de mãos massageando meu rosto, modelando a minha sobrancelha, limpando a minha pele, me dando um sono doce e suave como o apenas descrito por pessoas até os 10 anos de idade.
E a sensação maravilhosa de voltar à realidade com outro cabelo, outra cara, outras unhas, outra pele.
Ai, que delícia.

*mode Mulherzinha OFF

¹ Não necessariamente nessa mesma ordem.

por Vevs em 17:41
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Comenta, mas não empurra: 7.11.06

CÁRCERE PRIVADO



Cheguei a um ponto de amadurecimento, de encontro pessoal e discernimento tais, que concluí a mais complexa das reflexões com o mais simples e óbvio dos resultados: o homem da minha vida sou eu.

O homem da minha vida sou eu, e depois de mim, um companheiro ia bem. Mas numa boa. É simples, e denota muita independência. Não preciso de um outro pra ser feliz. Derrubei a idéia terrorista de que uma mulher precisa de um homem para sobreviver e ser feliz. Não dependo do prazer que outro me oferece para viver; prescindo, com muita naturalidade, de uma segunda pessoa, para ser completa. Refletindo assim, sinto-me leve, liberta do complexo do príncipe encantado, crendo ser o homem adicional apenas o morango do bolo. E quem é que vai morrer se não há morango, tendo um bolo inteiro, recheio e cobertura, à disposição? Se sim, bom; se não, bom. Antes procurava o homem em cada rosto, agora me olho no espelho, e lá está ele.

O homem da minha vida sou eu.
Agora, só preciso saber o que fazer das lembranças mais doces que tenho de um futuro que ainda não vivi. O que fazer daquela casa projetada a lápis no papel milimetrado, daqueles complementos de cores escuras e traços fortes, que ele traria para equilibrar a casa. O que fazer do perfume Silver Shadow que impregna o ar da minha imaginação, e do aparelho de barbear preto pousado sobre a toalha branca, na pia do banheiro, pela manhã. O que fazer do eco do contrabaixo da voz que adentra o ambiente, em contraste e realce à minha voz de guitarra semi-acústica, que já espera por ele na copa, com uma xícara de chá de canela e cardamomo.
O que fazer da firmeza dos olhos do homem-companheiro, de seu jeito engraçado de andar pelas ruas de uma cidade velha, com a mochila às costas, no alvorescer ou no crepúsculo dessa vida, ou da outra. O que fazer com o simples toque marrom, preto ou azul-marinho, que ele traz ao meu mundo amarelo, laranja e vermelho, de cores tão vibrantes, mas que não vibram sem as suas cores sóbrias.
Porque eu sou o homem, mas não sou homem. Não procuro por nada além da vida, assim como, na vida, não mais procuro pelo homem. E da minha vida não espero nada, se não é com o homem por quem não mais espero.

"As possibilidades de felicidade
São egoístas, meu amor
Viver a liberdade, amar de verdade
Só se for a dois
Só a dois..."


por Vevs em 14:41
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Comenta, mas não empurra: 3.11.06

VISÃO DO INFERNO



A minha visão do inferno é um domingo eterno.
Eu acordo pela manhã e estou de bobs no cabelo. Visto um robe de cetim bordô, arrastando os chinelos e de meias, e vou até a cozinha, cuja pia, pelo visto, está cheia de pratos sujos de gordura até quase encostar no teto. Quanto mais eu lavo a louça, mais as minhas 7 crianças, todos meninos na faixa etária dos 7 anos, colocam mais pratos, copos e caixinhas vazias de Toddynho dentro da pia.
Na hora do almoço, minha sogra chega usando uma camiseta do Geraldo Alkmin, gorda como uma porca, e fica passando o dedo sobre os móveis e reclamando de como eu cuido mal da casa e ela está cheia de poeira. Coloco na mesa uma travessa gigantesca de espaguetti com almôndega e umas 5 garrafas de coca-cola, e o marido, o sogro gordo e as 7 crianças ficam arrotando à mesa, limpando a boca na toalha e dando a salada de beterraba pro gato comer, até a hora do lanche.
Mais tarde, a sogra vai se embora com o sogro. Quando enfim consigo ir ao quarto tirar os bobs do cabelo, percebo que fiz escova progressiva, mas já tem uns 3 meses, o que significa uma raiz crespa crescendo e uns cabelos lisos descendo delas.

Vou à sala, e se completa a minha visão de inferno. Meu marido, um homem gordo e com mais celulites do que eu, está deitado, ou melhor, esparramado e cochilando no sofá da sala, sem camisa, equilibrando uma lata de Bavária na barriga. Tem uns farelos de rosquinha Mabel no bigode dele, e de vez em quando ele desperta do sono pra esbofetear umas moscas que insistem em pousar na sua cabeça calva e oleosa. Ele está usando uma cueca zorba da década de 80, com elástico frouxo na coxa esquerda, o que deixa seus testículos à mostra. E meias, furadas no dedão. No braço do sofá tem um copo com uns restos de cerveja já quente e um Derby vermelho pousado na borda, fumegante. Na sua mão direita está o controle remoto, e na televisão está passando um Domingo Legal eterno no qual a Joelma do Calypso usa um biquini de oncinha para agarrar o Chimbinha na Banheira do Gugu. Eventualmente, meu marido acordava e usava o controle remoto para zapear entre o Gugu e o Faustão.

A noite chega, todos assistimos o Fantástico, eu coloco as crianças pra dormir. Na minha cama, meu marido chega junto, cheio de amor pra dar, mas goza em aproximadamente 4 minutos e meio. Durmo... e quando acordo pela manhã: é domingo de novo.

por Vevs em 12:14
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Comenta, mas não empurra: 1.11.06

A ORDEM INVERSA DAS COISAS BONITAS DA VIDA



"A gota d'água quando cai no oceano, ao mesmo tempo se perde e se expande. Quando um mais um é mais do que dois é que podemos observar os nossos paradoxos que se encerram numa separatividade tola.

Quando estou dentro de você, também estou ao teu redor e alhures; as possibilidades deste mapeamento interior são maiores do que imaginamos. A arma se desarma e é recebida na calidez do teu interior, que não é mais do que a entrada na caverna que Platão nos fala - a diferença é que já conhecemos o mundo lá fora!
Nesta hora, alguns lábios se calam e outros se abrem, na ordem direta da penetração e na ordem inversa do prazer.
A moeda é a mesma, não importa se estamos olhando para cara ou coroa."

MCM, poeta Shiva do caos conceitual e da renovação de conceitos.


por Vevs em 11:39
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