PLANO DAS IDÉIAS
Eu juro que fiz força pra não escrever sobre isso. Mas não deu.
Fez dois anos, eu acho. E sobre certas coisas não há o que dizer. Eu tenho alguma saudade (confesso: muita), e um sentimento estranho de conexão. Mas talvez seja melhor assim, devir - que é o que deveria ser, mas não o é, e jamais será, porque é devir. Delírio de filosofia.
As diferenças entre esse ano e o que passou são muitas, mas residem numa fundamental: novembro passado choveu muito pouco. Eu diria que no feriado, não choveu.
Paciência.
(E sobre as coisas que não se resolvem, fica o calor, o macio da lembrança, o adocicado dos poucos beijos. Confrontar-se com o passado é olhar-se no espelho do que pode vir a ser. E eu queria ser capaz de dar uma resposta, de dar vazão, de dizer a ele que sim, ou que não. Encontros como o de hoje estremecem as bases que ainda não existem.)
Há um samba rolando e uma brisa doce e morna a refrescar o mormaço. Os monumentos permanecem intactos, à diferença que alguns já foram inaugurados.
As pessoas ainda estão nos bares e devem ser ainda as mesmas, com as mesmas caras encardidas.
O lusco-fusco da hora sagrada ainda me impede de escrever.
Já envelhecemos. Estamos ligeiramente grisalhos, nublados, corpulentos, com as sobrancelhas mais franzidas e derramando menos mel com as palavras.
Mas aquela franja, que me denota muita juventude, está congelada no tempo do meu porta-retratos.
É muita idiotice filosofar em imagens?
Meu instinto diz que ainda há de vir.
Há devir.
Devir. Há.
por Vevila às 22:24






